[Contexto] #ForçaChape

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por Francisco Geovane

Terça-feira, 29 de novembro. Madrugada na Colômbia. Um trágico acidente acontece. Setenta e uma pessoas morrem – entre elas quase todos os jogadores e toda a comissão técnica da Chapecoense, bem como vinte profissionais de imprensa, todos para a primeira decisão da Copa Sulamericana, que seria em Medelin contra o Atlético Nacional.

A notícia caiu como uma bomba na cabeça não só da população de Chapecó, mas de todo o Brasil e, durante o dia, no mundo todo.

Para as pessoas que não convivem com o esporte, foi uma tragédia. Para as pessoas que consomem esporte, foi bem além disso.

Acompanhamos a evolução desse clube do interior catarinense, que desde 2009 não para de subir. Saindo do limbo do nosso futebol, galgou mais na ladeira do Brasileirão chegando na elite, e permancendo nela.

Pode, com méritos próprios, se comparar a Santos, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e outros como o clube que nunca caiu de divisão. Talvez possa até tirar mais onda, pois ao contrário dos times citados, saiu lá da última divisão.

Nos últimos dois anos, vinha fazendo história. Em 2015, na Sulamericana, encarou o atual campeão da Libertadores River Plate na sufocante (para os adversários) Arena Condá. Apesar de ter sido eliminado nas quartas, venceu o River em casa, deixando a torcida em êxtase.

Neste ano, chegou mais longe: eliminou o time do Papa, o San Lorenzo, que também venceu a Libertadores recentemente. Fez história, se classificando para sua primeira final em torneio internacional.

E veio a tragédia. Não é hora de especular a causa, nem o que acontecerá com a Taça da Sulamericana e a vaga na Libertadores. Deixa o luto passar, pelo menos…

Na tragédia, até os adversários se unem. TODOS os clubes brasileiros (e um punhado de clubes internacionais) prestaram apoio e solidariedade a Chape. E não somente a instituição (prometeram ceder empréstimo a jogadores para compor o clube para 2017). Mas também aos familiares e aos profissionais de imprensa que também estavam no avião.

Se essa foi a maior tragédia do esporte brasileiro, infelizmente também é a maior tragédia do jornalismo brasileiro. O dia foi complicado para a imprensa, os noticiários esportivos. Muitos ali estavam segurando a emoção para noticiar a morte de um amigo próximo (tanto na Chape quanto na imprensa).

Outros nem seguraram. Não os culpo. Eu, que estou aqui assistindo de longe, também ganhei vários nós na garganta durante o dia, frente a emocionante maré de homenagens e promessas de ajuda nao só a Chape, mas aos familiares dos mortos.

A CBF, num raríssimo ato, adiou toda e qualquer competição de futebol em uma semana. A final da Copa do Brasil que seria na quarta, passou para o dia 7 de dezembro. E a última rodada do Brasileirão, que seria no domingo, ficou para o próximo, dia 4 de dezembro. Justo, não é hora pra isso.

Além de profissionais que se foram, são pessoas que, com seus trabalhos, traziam alegria e emoção a todos – não só da Chape, mas por onde passaram. E é exatamente essa dor que o fã do esporte tem a mais do que alguém que não acompanha.

Mas não me entendam mal. Não é aqui uma disputa de quem sofre mais. Só que sempre aparece gente que não entende o luto, já que “você nem torce para esse time”. Eu sou Palmeiras mas, acima de tudo, sou futebol. Sou esporte. Sou o que o esporte pode agregar para a vida. Não é só esporte, minha gente. Definitivamente não.

Quis o destino que esse time de encher os olhos, esses jogadores e profissionais que colocaram a Chapecoense nesse patamar, que tudo isso não ficasse esquecido no limbo da história. Não contente por ter subido tanto, a Chape resolveu subir mais um degrau, onde nenhum outro time está: a unanimidade. E lógico, com uma competente equipe para noticiar os feitos deles por toda a eternidade.

Vão em paz. E que possamos também nós galgar sempre mais, como vocês fizeram.