[Contexto] O Mundial do Palmeiras

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por Francisco Geovane

O novo presidente da FIFA, Gianni Infantino, tenta mostrar serviço e já causa muita polêmica entre as Federações de futebol mundo afora.

Numa tentativa de dar um novo ar “limpo” ao ambiente sujo e carregado que a FIFA está, principalmente após as prisões e fugas das velhas raposas da entidade após devassa americana/suíça (abraço, Del Nero), a nova direção da entidade surge com várias ideias para deixar o esporte bretão mais inclusivo, principalmente com locais no globo mais “esquecidos”.

Só que, como diz o ditado: “de boas intenções o inferno está cheio”. O ambiente de troca de favores continua forte, e acabou respingando em duas “imaculadas” disputas: a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.

No caso da Copa, teremos um acréscimo de 16 países (de 32 para 48 seleções), mas somente para a Copa de 2026 em diante. Infantino tentou fazer um agrado à CAF (Federação Africana) e AFC (Federação Asiática) por causa dos votos dados a ele na eleição de 2016, deixando a UEFA (Federação Europeia) irada. Essa decisão veio como um “tanto faz” para a CONMEBOL (Federação Sulamericana, a qual o Brasil pertence). Já tinha 4 vagas garantidas na Copa com 32 seleções, e ganha mais duas de bandeja com essa expansão.

Isso ainda vai dar muito pano pra manga, já que a escolha da sede do mundial de 2026 só será daqui há 3 anos.

A mesma expansão seria prevista ao Mundial de Clubes, com mudança de período (meio do ano em vez do final), mas nenhuma outra decisão foi tomada ainda sobre isso.

No entanto, Infantino já arrumou treta suficiente para seu primeiro mandato com outra decisão polêmica (já citada antes, mas polêmica mesmo assim).

Um comunicado enviado pela FIFA no dia 27 de janeiro ao jornal “O Estado de S. Paulo” afirmou que o Corinthians é o primeiro campeão mundial e que os vencedores da Copa Rio e da Copa Intercontinental não podem igualar suas conquistas aos campeonatos de 2000 e de 2005 em diante.

Na verdade a FIFA nunca considerou realmente os vencedores da Copa Rio e da Copa Intercontinental como campeões mundiais, mas como “campeões à nível mundial”, como enviou ao Palmeiras no ano de 2014, considerando o verdão o primeiro “campeão à nível mundial”, mas reiterando que o primeiro campeão mundial DA FIFA foi sim o Corinthians.

Esse termo “campeões à nível mundial” seria uma forma de dizer que eles foram campeões não oficialmente pela FIFA, mas acabou gerando interpretações diferentes, como a do Palmeiras, citado acima. O Verdão entendeu o comunicado como um reconhecimento mas, como dito pela FIFA, não foi bem assim.

Se você pesquisar por manchetes de jornal de 1951 e 1981, vai encontrar muita semelhança entre as conquistas do Palmeiras (contra a Juventus-ITA) e do Flamengo (contra o Liverpool-ING) respectivamente.

Ambas foram consideradas pela imprensa nacional em suas épocas como “Campeonatos Mundiais”, e tiveram toda a pompa que a conquista merecia. Torcedores que viveram a conquista na época não tem uma única dúvida sobre a “dimensão” da conquista.

E mesmo que as gerações atuais não tenham intimidade com o título (mais a do Palmeiras, afinal, os registros são da década de 50), eles “tiram onda” com quem não tem (ou não tinha) conquistas semelhantes.

Assim como muitos jogadores do Flamengo de 1981, os torcedores de Palmeiras, Santos, Flamengo, Grêmio e São Paulo (por causa de 1991 e 1992) realmente não ligam para o que a FIFA diz – mesmo que ela não reconheça “oficialmente”.

E isso abre uma discussão pertinente: você aí, caro torcedor, realmente liga para esse tipo de reconhecimento? Você quer mesmo que um corintiano reconheça um título do Palmeiras ou vice-versa?

Acredito que o reconhecimento, er, reconhece (com o perdão da redundância) a importância da conquista frente aos demais clubes do mundo (em 2005, o São Paulo comprovadamente foi o melhor, pois suportou o Liverpool na decisão do Mundial), mas quem deve reconhecê-lo de fato é o torcedor, aquele que sofre, se desespera, xinga, vibra, comemora. O verdadeiro torcedor, o pulmão do futebol.

E, cá entre nós, e pelos últimos anos, a FIFA é que está precisando ser reconhecida pelo futebol mundial, e não o contrário.